Faz frio e o banheiro é gelado.
O box é típico de apartamentos antigos de Porto Alegre. Grande e com janela.
A janela não fecha e o vento circula com facilidade.
A janela não fecha e o vento circula com facilidade.
O ambiente está realmente inóspito para esse ato de coragem sobre humano.
Os velhos canos de água que vêm da rua trazem uma água fria que não aquece quando passa pela resistência do chuveiro elétrico.
É pavoroso.
Me mijo para melhorar minha situação.
Abro tão pouco o registro que a luz fica piscando o tempo todo.
Me mijo para melhorar minha situação.
Abro tão pouco o registro que a luz fica piscando o tempo todo.
Pingos minúsculos de água morna tentam se espalhar pelo meu corpo nu e sujo.
Esfrego o couro cabeludo com o sabão de glicerina.
Escovo os dentes correndo com um resto de pasta velha.
Limpo as partes mestras.
Meu sofrimento de 2 minutos termina pior: sair do box e entrar em contato com o piso glacial ouriça meus poros úmidos e sem viço. Começo a espirrar.
A impressão que dá é que com a segunda feira nada muda, que a contagem regressiva próximo domingo recém começou.
Tomo café em silêncio, meu livro é meu alento, já que minha próprias palavras tiram sarro de mim.
Minha rotina é podre, mas prática pra mim.
Preciso de um mês de surdez.
O som corrupto e os dias curtos fazem tudo menos me anestesiar.
Escovo os dentes correndo com um resto de pasta velha.
Limpo as partes mestras.
Meu sofrimento de 2 minutos termina pior: sair do box e entrar em contato com o piso glacial ouriça meus poros úmidos e sem viço. Começo a espirrar.
A impressão que dá é que com a segunda feira nada muda, que a contagem regressiva próximo domingo recém começou.
Tomo café em silêncio, meu livro é meu alento, já que minha próprias palavras tiram sarro de mim.
Minha rotina é podre, mas prática pra mim.
Preciso de um mês de surdez.
O som corrupto e os dias curtos fazem tudo menos me anestesiar.
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