sábado, 30 de julho de 2011

Lupir cansou das últimas batalhas. A marcha de volta á casa fora fantasiosa: A marca era cada vez mais evidente. O pensamento naquele fatídico dia de amanhã ainda rondava, como que a procura de conclusões objetivas.

- "Qual o porquê de tantos estarem perdidos? O que faz o ceder facilmente ser um impulso, invés da força?"

Não conseguia explicar a relação. Sonhava acordado com uns tentando encontrar, mas caindo em areia movediça:

- "Era como se a cada passo de salvação o chão cedesse.
Tu não te dá conta no começo. Pensa que nada mais é do que a dificuldade natural de se mexer com outra densidade.
Continua tentando sair dali. Cada vez com mais vontade. O pânico ainda dorme.
É natural pensar que é só apoiar-se em alguma outra superfície, ou algum galho.

Tudo erosa, tudo quebra.

Da cintura pra baixo. Mãos livres. Respirando e confiando. O pânico já da sinais. Uma terceira onda de pensamento entra em jogo: o negativo.
Talvez seja a hora. Mas o instinto de sobrevivência sobrepõe no solavanco.

Começa a se debater.
Com raiva, começa a se debater. Com medo, começa a se debater.

Totalmente cego pelo instinto, o pensamento negativo chama e fala: tu vai morrer.
Não tens o conhecimento. Não sabes sair sozinho.

Como um último lampejo, tu tranca a respiração, reza e conclui: Vivi bem. Vivi em virtude.

Cai ná agua."

- "Mããããããe! Só cai no abismo quem tem asas!" - anunciou a brilhosa conclusão ao chegar em casa.

domingo, 24 de julho de 2011

Banho.

Já é segunda feira de manhã.

Faz frio e o banheiro é gelado.

O box é típico de apartamentos antigos de Porto Alegre. Grande e com janela.
A janela não fecha e o vento circula com facilidade.
O ambiente está realmente inóspito para esse ato de coragem sobre humano.

Os velhos canos de água que vêm da rua trazem uma água fria que não aquece quando passa pela resistência do chuveiro elétrico.

É pavoroso.
Me mijo para melhorar minha situação.

Abro tão pouco o registro que a luz fica piscando o tempo todo.

Pingos minúsculos de água morna tentam se espalhar pelo meu corpo nu e sujo.

Esfrego o couro cabeludo com o sabão de glicerina.
Escovo os dentes correndo com um resto de pasta velha.
Limpo as partes mestras.

Meu sofrimento de 2 minutos termina pior: sair do box e entrar em contato com o piso glacial ouriça meus poros úmidos e sem viço. Começo a espirrar.

A impressão que dá é que com a segunda feira nada muda, que a contagem regressiva próximo domingo recém começou.

Tomo café em silêncio, meu livro é meu alento, já que minha próprias palavras tiram sarro de mim.
Minha rotina é podre, mas prática pra mim.

Preciso de um mês de surdez.

O som corrupto e os dias curtos fazem tudo menos me anestesiar.



I am my mother's only one.

Sem pressa alguma. Aos poucos tu pega.

É como aquela volta de carro num domingo de manhã: tu precisa sair de casa, como se o dia sabático realmente fosse para ser vivido na rua.

Mas aí criaram um mundo paralelo alimentado por fantasias nem sempre inteligentes: a televisão.

Afasta a verdade e te faz consumir.






terça-feira, 19 de julho de 2011

O TAO de mim IV

Os grandes falam sobre idéias.

Os medianos falam sobre coisas.

Os pequenos falam sobre a vida alheia.

O teu entorno te influencia.
Com quem tu andas é com quem te expressas.


o sábio é aquele que não faz nada pra ser, mas é. E por ser, faz tudo bem feito através do não ser, ensinando as pessoas, apesar de não ser esse o objetivo.

"Por isso, Diz o Sábio:

Não faço nada
E as pessoas se transformam.
Aprecio a serenidade
E as pessoas se governam.
Cultivo o vazio
E as pessoas prosperam.
Não tenho desejos
E as pessoas se simplificam."

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tornou-se tão óbvio.

"Como Galatéia vai aparecer se não sou agora o que sou com ela?" é o que Pigmalião poderia ter pensado quando idealizava a estátua no mundo das idéias.

domingo, 10 de julho de 2011

O TAO de mim III

Quem busca, caminha.
Quem busca, encontra.

São três limitações.

A segunda envolve a oscilação.

Se oscilas, perde o foco.
Perde o foco e te interrompe.
Te interrompe e te pesa.
Pesado, tens preguiça.
Com preguiça, nada faz.
Se nada faz, disperdiça.

Por isso, o Sábio

Foca e cria energia.
Entende que a mente que oscila tensiona.
Faz bem e faz o bem.
Vive o processo e não a recompensa.

33

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Knowing others is intelligence;
knowing yourself is true wisdom.
Mastering others is strength;
mastering yourself is true power.

If you realize that you have enough,
you are truly rich.
If you stay in the center
and embrace death with your whole heart,
you will endure forever.

O TAO de mim II

Quem busca não palestra.
Quem busca, encontra.

São três limitações.

A primeira enolve desejo.

Do desejo, vem a raiva.
Da raiva, vem a culpa.
Da culpa, vem o remorso.
Do remorso, vem o amargo.

A primeira envolve desejo.

Do desejo, vem o medo.
Do medo, vem a ansiedade.
Da ansiedade, vem a paranóia.
Da paranóia, vem o pânico.

A primeira envolve desejo.

Do desejo, vem a conquista.
Da conquista, vem o orgulho.
Do orgulho, vem a prepotência.
Da prepotência, vem a cegueira.

A primeira envolve desejo.

Do desejo, vem a imagem.
Da imagem, vem a comparação.
Da comparação, vem a inveja.
Da inveja, vem o veneno.

A primeira envolve desejo.

Do desejo, vem a vontade.
Da vontade, vem a força.
Da força, vem a vitória.
Da vitória, vem o desejo.

domingo, 3 de julho de 2011

Eu tinha uma imagem totalmente diferente dele - começou. Quando eu vi o quão fraco ele era, em como ele sempre perde na queda de braço com o mundano, eu decidi me afastar. A admiração é o suficiente pra alimentar uma paixão, mas depois que o teto é lido e o inconsciente coletivo da relação não segura, tá na hora de tirar o time de campo.
A rainha sempre chega acompanhada de dois guardas. Todos de sangue real. Proteger a família é a mensagem principal da realeza.

Francisca é a sexta rainha seguida em Miriandran. O pequeno planeta ama a "Mãe dos Pobres", mas entende que assistencialismo é manipulação.
Tu corre porque sabe da culpa que carrega. - Era tudo que ele pensava. Não mais sabia o que podia fazer. Remoer o passado já se mostrara motivo de uma loucura indesejável, mas aconchegante . Não via mais saída a não ser apresentar a conclusão que se mostrava óbvia na sua frente. A possibilidade de criar um teto superior subia dos pés ao cabelo e raiz. Cada arrepio não era de frio, só de feliz.
Não era o medo do não. Não era o medo da rejeição.
Miriadran tinha medo de escolher. Caía do ar para terra ao pensar que expor suas ideias era a ideia mais infutífera que já tivera.

-É dificil pedir desculpas de algo que fiz por estar enganado - argumentou. Eu realmente pensei que te curtia. Eu realmente pensei que teríamos insights fora do normal. Em nenhum momento eu quis te iludir. Pensei que tu era um provável encaixe pra mim, mas logo vi que o teu teto é bem diferente do meu. Não é cliche. É real. Não é tu. Sou eu.

sábado, 2 de julho de 2011

O TAO de mim

Quem comida procura no esgoto
Rato e barata se torna com gosto.

O gato que transita no submundo,
quanto sem leite vai de ratazana.

Entende que a energia tem forma.
Assim como pensa é como te torna.

Tu atrai o que por ti é chamado.

Ilumine com bons pensamentos.
Saiba ser por si e transite onde for.

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A good traveler has no fixed plans
and is not intent upon arriving.
A good artist lets his intuition
lead him wherever it wants.
A good scientist has freed himself of concepts
and keeps his mind open to what is.

Thus the Master is available to all people
and doesn't reject anyone.
He is ready to use all situations
and doesn't waste anything.
This is called embodying the light.

What is a good man but a bad man's teacher?
What is a bad man but a good man's job?
If you don't understand this, you will get lost,
however intelligent you are.
It is the great secret.

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