segunda-feira, 27 de abril de 2009

Provo meu ponto assim:

Se abrirmos um dicionário e procurarmos o significado da palavra vontade, encontraremos esta definição: “Faculdade de praticar ou não, livremente, algum ato”. Aceitaremos esta definição como verdadeira, irrepreensível.

Mas não pode haver maior engano, pois esta vontade que reivindicamos com tanta altivez, cede sempre o passo à imaginação. É uma regra absoluta. Uma regra sem exceção.

“Blasfemia! Paradoxo!” – todos bradam.

Tsc Tsc. De forma alguma.

“Verdade, pura verdade!”, respondo.

E, para se convencerem, abram os olhos, olhem em torno de si e saibam compreender aquilo que vêem. Hão de ver, então, que o que digo não é uma teoria aérea, produzida por um cérebro doentio, mas a simples expressão daquilo que realmente é.

Suponhamos que há no solo um tábua de 10 metros de comprimento por 25 centímetros de largura. Está claro que todo mundo é capaz de ir de uma ponta a outra dessa tábua, sem pôr o pé fora dela.

Mudemos porém, as condições da experiência e façamos de conta que essa tábua está colocada à altura das torres de uma catedral. Quem terá, então, a coragem de avançar um metro apenas, nessa estreita passagem ?

São os senhores que me lêem (como se alguém lesse) ? Não, sem dúvida!

Antes de derem dois passos, começarão a tremer e, apesar de todos os esforços de vontade, fatalmente cairão ao solo.

Observem que os senhores têm boa-vontade de avançar; se imaginam que o não podem, ficam na impossibilidade absoluta de fazê-lo. Se os pedreiros, os carpinteiros são capazes de executar esse ato, é porque eles imaginam que o podem fazer.

A vertigem só é causada pela imagem que se nos afigura de que vamos cair; essa imagem se transforma imediatamente em ato, apesar de todos os nossos esforços de vontade, não importando o tamanho desse esforço.

Um comentário:

gustavo_ disse...

muito afude, muito bom mesmo. a vida é vertigem, porque não conseguimos atravessar uma primeira vez sem um medo do caralho, uma vertigem. mas atravessada a primeira vez, embebido em vertigem, o caminho está livre. a vida é vertigem, é experiência.

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