segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Por tudo que não falo

Paula ri do que falo. Solta e abobada: chapada do vinho.
Nessas horas é que sinto saudades do que não devo. 
De quem não posso.

Nada contra meu novo relacionamento.
Apenas não me acostumei a ser esse novo ser.
Um lado meu ainda quer entender toda uma influência anterior.
Porque logo logo eu serei transformado a esquecer.

Fico bem em saber que me abri.
Fico bem em saber que fui só.

Fico triste em saber que me vou:
Não tive um funeral pro homem que fui.

Não se trata de saber como as coisas se encaixam de maneiras quietas.
Isso é o que sempre espero.

Não se trata de saber que o mundo gira e que logo vou me deixar pra trás.
Disso não posso fugir.

É apenas uma leve sensação de que talvez na vida a gente faz escolhas que podam potencial.
E que isso é inevitável para um guri egoísta e juvenil.

Isso logo é liberado pelo novo homem que brota, agora também fruto de uma escolha errada.
Uma escolha minha. E isso nunca vai mudar.
Mas que pode me levar pra outro ponto de mutação.
Agora maduro, sem medo de criar raiz.
E aí eu vou nascer mais uma vez.




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