sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Dia dos pais

Me entrego ao devaneio, esperando uma resposta.
O tempo passa em branco,
fortalecendo a incerteza da especulação.

Sento à messa posta, preenchido por premissas suportáveis.
Ansiando por silêncio de quem penso ser quem sou.

- Premissas são os pais dos pressupostos. - pondero comigo - Enviar antes, antecipadamente enviar. Prevenir.

E no final:
Feliz por conseguir ter pensamentos navegáveis.

Olha minha prima, ali, por exemplo:

Acordando agora no meio dia da vida.
Por tempo usou a força de vontade para fugir do medo.
Começa a compreender que a incerteza é a mãe do desapego:

A chance de sentir ser quem se é, sem segurar qualquer tipo de insegurança.

Falei pra ela que não estar dividido talvez seja a grande maneira de separar o certo do incerto, o civil do incivil e o gêmeo do incesto.

Exemplifiquei ao flutuar na corrente de um rio só.

Cantei o possível horror em ter que responder artificialmente para si mesmo: isso esmaga clavícula.

Mencionei das dietas em que se controlava e namoros que a enciumavam. Como ela sempre escutava a irritante voz da comparação.

- Presunçoso! - grita Estér confusa.

Saio da mesa e sento ao sol.

Por mais que tentei ajudar, acabara de julgar a maneira que ela vive.
Reparei.
Mas ela entendeu meu ponto:

A dúvida devasta, derruba e desastra.
E sempre vai existir.
Confundir ousadia e medo é o normal que se tem a sentir.

Distinguir entre certo e errado é um vício introjetado.
E a paralisia só termina quando entender que não se é derrotado.














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