terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

London Journey 01

E o inevitável vem a acontecer. Uma partida assim não iria demorar pra acontecer. Logo no primeiro dia já espero ter dado a última ratiada. Perdi o bilhete de São Paulo – Madrid! Mas tive sorte. Sorte por ainda estar no Brasil. Sorte pelo brasileiro ter um jeitinho próprio. Sorte pela aeromoça simplesmente falar “Ahh! Que saco! É uma mão ter que reemitir a passagem! Faz o seguinte, entra e fala q eu fiquei com a passagem toda. Inclusive com a tua parte. Não da nada!”. Se ela diz, quem sou eu pra discordar? Ainda mais que a cagada foi minha.
Entre uma tentativa de conversa frustrada com os outros passageiros e a minha vontade de falar espanhol com a tripulação do avião, ao ponto de me entregarem o ABC de Madrid e não o Estado de São Paulo, fico curioso pra saber o que vai acontecer com o Sal e o Dean. Ainda não terminei de ler o livro, mas o estou achando fascinante!
Sentimento algum me aflige. Pensei que eu fosse ficar nervoso, ansioso, medroso e todos os “osos” que não envolvem uma forma física. Nada! Apaguei vindo de São Paulo e acordei faz pouco para jantar. Janta estúpida! Ervilhas e cenouras quentes e sem gosto! Apenas coloridas! Mas mesmo assim não fiquei nervoso. Acho que não leram o aviso de “insert coins” ainda. O fliperama ainda está ávido por um jogador. Nenhum crédito consta. Mas tenho quase certeza que o quadro muda ao aterrisar em Madrid. Não precisa nem ser em Londres.
Fico me perguntando para o que que passarem a dar valor. Será que uma boa cerveja gelada, um bom prato de comida, ou ainda esnobarei a simplicidade a ponto de continuar sempre ansioso por uma próxima aventura?
Será que um Emboá de Primavera ainda será tão significante pra mim? Ou acordarei, como o Sal “com o sol rubro do fim de tarde; e aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos, quando não soube que eu era – estava longe de casa, assombrada e castigado pela viagem, num quarto de hotel barato que nunca vira antes, ouvindo o silo das locomotivas, e o ranger das velhas madeiras do hotel, e passos ressoando no andar de cima, e todos aqueles sons melancólicos, e olhei para o teto rachado e por quinze estranhos segundos realmente não soube quem era. Não fiquei apavorado; eu simplesmente era uma outra pessoa, um estranho, e toda a minha existência era uma vida mal-assombrada, a vida de um fantasma.”
Hoje, nem sei mais se escrevo mal-assombrada, ou mal assombrada. Mas sei que após essa reflexão, uma pitada de ansiedade começa a dar um oi. Juntamente com a curiosidade. Curiosidade de saber o que e quem me espera. Francesas, italianas, russas, inglesas, suecas, húngaras, tanto faz, agora eu to focado é na aeromoça mesmo!

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